Por que o BIM está ganhando cada vez mais o mundo?

Publicado em 8 de outubro de 2019 por Valéria França
BIM inovação na construção civil

Com a chegada da transformação digital há alguns anos nas empresas da  construção civil, uma boa parte ainda busca se adaptar, outras saem a frente com intuito de obter agilidade, eficiência e produtividade, fórmulas cruciais para manter-se competitivas no seu mercado. E uma das soluções inovadoras que têm se espalhando pelo mundo a fora é a metodologia BIM.

De acordo com pesquisa recente publicada pela MarketsandMarkets ™, o mercado de modelagem de informações de construção global deverá crescer US$4,9 milhões em 2019 para US$ 8,9 bilhões em 2014. Assim, as tendências crescentes do BIM e as iniciativas governamentais para a adoção do BIM, inclusive no Brasil, são fatores que impulsionam o crescimento do mercado.

Acima de tudo, essa metodologia vem com intuito de mudar a forma de pensar, executar e otimizar um projeto de acordo com os requisitos.   Assim sendo, oferece benefícios em aumentar a produtividade, pois, o BIM no processo da construção é utilizado principalmente para simulação, estimativa e análise de construção em conjunto às diversas áreas envolvidas.

Então, você gostaria de estar a frente no seu mercado e  no topo dos melhores empreendimentos? Este artigo vai lhe apresentar a metodologia BIM, como funciona, a importância para o processo de construção e o porquê ganha cada vez mais o mundo.

BIM: o que é?

A sigla BIM, vem do inglês e significa Building Information Modeling, ou seja, traduzindo “Modelagem de Informação da Construção”.

Mas afinal, o que é? 

O BIM é o processo que abrange a geração e o gerenciamento das informações funcionais e físicas de um projeto. E a saída do processo é chamada de BIM ou modelos de informações de construção, ou seja, arquivos digitais que descrevem todos os aspectos do projeto a fim de, dar suporte à tomada de decisões ao longo do ciclo do projeto. Um recurso de conhecimento compartilhado entre as diversas áreas do setor da construção, ou seja, todos os profissionais envolvidos na obra.

Portanto, um dos objetivos do BIM é criar um modelo virtual (tridimensional e informativo). Inclui, não apenas o que foi projetado, mas também o está sendo construído durante a fase de construção.

Tradicionalmente, a construção civil trabalha com projetos por meio de plantas, desenhos em 2D que dão vida as características de cada obra. Enquanto o BIM, vem com os subconjuntos de sistemas BIM, e tecnologias semelhantes que apresentam mais que 3D (largura, altura e profundidade), sobretudo, podem incluir outras dimensões, como o 4D(tempo), 5D(custo) e até 6D(sustentabilidade/operação construtiva), 7D(manutenção) (Smith,2014).

Fonte da imagem: encurtador.com.br/ETYZ6

BIM: Na prática

Antes de mais nada, ficou claro que, o BIM tem um grande impacto no esforço de representar virtualmente  todo o ciclo de vida de uma estrutura construída, não é mesmo? Entender e executar o projeto,  possibilita a equipe  permanecer no mesmo ambiente virtual, a comunicação e a atualização crucial de maneira direta entre a essa equipe. Isso, centraliza e integra os dados, e impede que problemas de comunicação causem qualquer tipo de revés na obra.

Além disso, o nível de detalhe do BIM vai além, possibilita especificar medidas e quantidades de materiais, definir qual tipo de insumo deve ser utilizado em algum estado do projeto. Ao visualizar os diferentes detalhes do projeto em um modelo realista como o BIM, os subcontratados podem detectar e resolver com mais facilidade as fontes de dor do projeto.

Por exemplo, pontos onde os encaixes do encanamento chocam com os encaixes elétricos podem ser facilmente identificados e levar a alterações funcionais no projeto antes que seja tarde e oneroso para o projeto.

BIM: As  dimensões ou camadas de modelagem

Vamos conhecer as 5 dimensões do BIM, que a cada dimensão, de acordo com o empreendimento, novos elementos agregam ao projeto que o tornam cada vez mais completo. São elas:

3D: Protótipo ou representação tridimensional

Nesta etapa é desenvolvido o protótipo do empreendimento em 3 dimensões, com todas as características do projeto, em um posicionamento espacial que possibilita a visão e análise de qualquer interferência entre os elementos. Por exemplo, a detecção de conflitos entre elementos mecânicos, hidráulicos, elétricos, etc. Assim, possibilita encontrar possíveis problemas preliminares.

4D:  Tempo e planejamento físico da obra

A dimensão 4D vincula atividades de construção a cronogramas e imagens 3D que tem como resultado a simulação gráfica temporal real do progresso da construção. Permite assim, a avaliação do planejamento da capacidade de construção e do fluxo de trabalho de um projeto. Assim, todos os envolvidos no projeto podem visualizar, analisar e comunicar problemas do progresso da construção. Então, mais uma vez é possível detectar impactos de cada perspectiva  em andamento da obra.

5D – Geração de orçamentos

Esta etapa permite inserir informações de custos da obra aos elementos modelados, assim, a geração instantânea de orçamentos de custos e representações financeiras,. Nesta etapa também permite integração com softwares específicos para definir orçamento. Com isso, melhora a precisão das estimativas.

6D – Sustentabilidade e operação construtiva

Após as etapas anteriores, é necessário realizar a análise do consumo de energia da edificação, a fim de resultar estimativas de gastos energéticos precisas. Há integrações de diversas ferramentas  que permite essa ação, que possibilidade assim  a dimensão 6D a medição, verificação e alto desempenho no recolhimento de informações das instalações.

7D  – Gestão das instalações

Esta etapa é  momento de gerenciar e gerar planos de  manutenção da edificação,  portanto, permite controlar garantia de equipamentos, dados de fabricantes e fornecedores, custos de operação. Esta fase final fica acessível todas informações de fornecedores, bem como, os produtos utilizados na obra.

Adoção do  BIM no mundo

Apesar de estar ganhando ainda espaço no Brasil, em alguns mercados no mundo a plataforma BIM já é um padrão usado em projetos. 

Nos Estados Unidos a adoção deve crescer significativamente nos próximos anos. Um dos primeiros estados a implementar o mandato do BIM foi o Wisconsin, em 2010. Dessa forma, exigiu o BIM em todos os  projetos de financiamento público com um orçamento total de US $5 milhões ou mais devem ser realizados com a metodologia BIM.

Na França, a partir de 2017, o BIM é exigido. Assim, o roteiro oficial de padronização francês foi tornado público em abril de 2017, como parte de estratégia francesa de “digitalizar” a indústria da construção. Dessa maneira, melhorar a qualidade dos dados trocados, melhorar os prazos e reduzir os custos gerais do projeto.

Alemanha, tem sido mais lenta em adotar o BIM do que em outros países, mas também os proprietários de projetos relatam a necessidade do BIM em seus projetos, portanto, até 2020 o BIM será obrigatório para todos os projetos de transporte.

A Holanda, é um dos paíse que mais lidera o BIM, embora não exista legislação oficial, o BIM é exigido em muitos projetos pelos clientes. 

A Itália registrou um crescimento significativo em 2018. Fabricantes e engenheiros estão se beneficiando das mais recentes soluções BIM disponíveis no mercado.

Na Comunidade européia, no início de 2016, 14 países se reuniram oficialmente e formaram um grupo de trabalho “EU BIM Task Group”, visando fomentar a utilização do BIM na administração pública na Europa.

Entre outros como, Reino Unido, Noruega e Dinamarca. E aqui na América do Sul, o Chile é um dos pioneiros desde 2011, o Ministério de obras públicas exige BIM em licitações de hospitais.

E BIM no Brasil?

Aqui no Brasil o governo federal vai exigir o uso da plataforma BIM a partir de 2021, Com isso, a expectativa  é o aumento de produtividade em 10% do setor da construção civil, a redução de custos em até 20% de acordo com estudos contratados pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Portanto, podemos concluir que a metodologia BIM tornou-se um recurso importante na gestão de obras e vem se consolidando na indústria da construção civil como uma ferramenta de inovação para o ciclo de vida construtivo. Com toda a certeza, um caminho inevitável e sem volta.

Fontes:

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